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segunda-feira, 13 de junho de 2016

PASTORES: VASOS DE BARRO



Pastores: Vasos de Barro




Alonso S. Gonçalves, pastor na Igreja Batista Central em Pariquera-Açu - SP 


A relação de Paulo com a Igreja em Corinto foi tensa em alguns momentos. O apóstolo sofria constantemente “ataques” por parte da comunidade que tinha preferências por outros líderes e deixava isso bem claro.

Em II Coríntios, Paulo enfrenta uma crise ministerial com a Igreja, e podemos dimensionar isso em alguns trechos da Carta.

As acusações que faziam ao apóstolo afetavam a sua vida e ministério. Em relação à sua vida, “diziam” que o apóstolo andava com pessoas “mundanas” (II Coríntios 10.2) e o acusavam de não ser de Cristo (II Coríntios 10.7). Quanto ao seu ministério, a sua pregação era questionada e ele passa a ser considerado um “mau” pregador (II Coríntios 11.6).

A comparação com Apolo era inevitável e pessoas da comunidade faziam questão de acentuar as diferenças entre os dois. Ainda no capítulo 11 Manoel de Jesus The, pastor, colaborador de OJB O pregador de uma Igreja, alguns anos atrás, tinha um alcance limitado.

Hoje, o alcance está diversificado. Temos diversas formas de comunicação; jornais e revistas já não são mais necessários. A internet, que possibilita a transmissão do culto a quem estiver interessado, aumentou o alcance tanto dos ouvintes como dos pregadores. O alcance pode ser quantitativo, como pode ser em qualidade. Um pregador de TV tem seu público igualado.

Se ele for divulgador da Teologia da Prosperidade, terá que adequar sua mensagem àqueles que estão interessados em um Deus distribuidor (versículo 16), Paulo é tratado como um louco (a fronaeinai), ou seja, alguém insano. As críticas são sintetizadas por Paulo (II Coríntios 10.10): “Pois dizem: As cartas dele são duras e fortes, mas sua presença pessoal é fraca, e sua pregação não impõe respeito. Quanto à sua pregação, quando olhamos o texto (grego), o correto seria desprezível (exouqenhmenoz). Não é por acaso que II Coríntios é considerada uma Carta chorosa (II Coríntios 2.4).

Quando o apóstolo fala sobre sua condição pastoral, prefere usar o exemplo do barro (4.1-7). Diante de todas as críticas, Paulo se vê como alguém que precisa legitimar o seu ministério e enfrentar os seus acusadores. Isso ele faz e reconhece, como alguém fora de si (capítulo 12), mas percebe que não vale muito a pena. Há pessoas que ignoram argumentos quando eles não corroboram o que pensam. Paulo está lidando com pessoas que não o reconhecem como um “vaso de barro”.

Ele de bens, riquezas e facilidades. Tais pregadores não são obrigados a alcançar os que conhecem as Escrituras. Escolhem um texto que se enquadra em uma analogia, e pronto. Um pregador que fala a um público que está interessado em “revelação”, nem precisa abrir a Bíblia. Se a abre, é só para pretexto. Os ouvintes saem empolgados com suas “revelações”. Entre o que ele falou, e o que estava no texto que ele leu, não faz sentido nenhum. Esse é o público que gosta de ser manipulado.

A maioria hoje gosta de ser manipulado, mesmo nas Igrejas chamadas tradicionais. Esse tipo de pregador provoca muita emoção, mas ninguém vai conferir suas “revelações”, aguardam ansiosamente as emoções das está trabalhando com pessoas que apostam na autossuficiência do apóstolo. Para esses acusadores, o apóstolo não poderia demonstrar fraqueza e Paulo faz questão de mencionar a sua fraqueza (12.5).

É indubitável o amor de Paulo pela Igreja. Mas, esse amor não estava alicerçado nas estruturas que alguns da comunidade queriam ver em evidência na vida de Paulo. O amor que Paulo expressa pela Igreja dava-se na comunhão de ideais e, principalmente, na proposta do Evangelho. Ele quer se mostrar com humanidade à comunidade e, para isso, recorre ao tema do vaso, que é feito de barro. O chamado para o ministério, de acordo com Paulo, se dá porque Deus o convoca baseado na Sua misericórdia. Nesse sentido, não se trata de méritos ou diplomas, mas de entender o chamado e atender aos critérios de Cristo. Há uma responsabilidade para tratar o Evangelho, mesmo correndo um sério risco de não ser ouvido, de não ser atendido. Paulo era consciente disso. “Revelações” das próximas mensagens.

Há pregadores que fazem uso de instrumentos da arte. Minha esposa exclamou admirada de como o povo de Israel começou a adorar um manto, como se ele fosse um deus. Perguntei: “Depois de milhares de anos de tal prática, de poderes mágicos em objetos e roupas, você se admira do que vemos na TV? ”. Vamos à análise da fé evangélica de hoje. Não estamos, pelas estatísticas, entre 40 a 60 milhões de evangélicos? Se o Evangelho transforma vidas, tornando-as espirituais e éticas, por que o Brasil não mudou? Pelo contrário, parece que piorou, em vez de melhorar.

E quantos políticos denominados evangélicos estão envolvidos? Nos anos 70, em virtude Mas se o vaso é de barro, há pessoas que gostam de esmagar potes Há pessoas que se apegam às estruturas e tornam a vida de seus pastores difíceis, não acompanhando o pastor na condução da Igreja por diferentes razões, algumas delas Paulo enfrentou em Corinto, como preferir a companhia de pessoas que ainda estão “fora” da comunidade ou até mesmo recusar a instrução pastoral por meio da pregação bíblica. Pastor é feito de barro. Uma pesquisa realizada pelo pastor Lourenço Stélio Rega (Diretor da Faculdade Teológica Batista de São Paulo) alguns anos atrás (Não há intenção aqui de atualizar os dados), trouxe números preocupantes sobre o Ministério Pastoral.

Destacamos alguns aspectos dessa pesquisa:

• 16% o treinamento recebido no seminário pouco tem servido no ministério;

• 8% se pudessem deixaria o ministério e procuraria outro meio de sobrevivência;

• 13% acreditam que o das mudanças de costumes, denominadas de nova moralidade, pós-modernidade, mundo líquido, com relacionamentos e valores perdendo a consistência, instituições como casamento, família e as Igrejas começaram a investir no resgate de tais instituições ou valores. 

Não bastaria apenas o alcance da pregação? Finalizando, passemos a tratar do que queremos chamar de alcance.

Pensemos no que Cristo pretendeu no seu ministério terreno, antes de ser crucificado. Ele pretendeu transmitir ensinos que causassem mudança nas pessoas. Os milagres realizados de formas diferentes. Qual a razão? Cristo pretendia transmitir um ensino, não apenas cura. Ele falou a pecadores, a pobres, ricos, religiosos, autoridades civis, homens, exercício do pastorado empobrece a vida familiar;

• 78% não estão satisfeitos com a autodisciplina no uso do tempo;

• 77% não estão contentes e satisfeitos com o tempo que investem na vida devocional;

• 51% têm de 1 a 5 amigos de verdade (49% não têm?);

• 9% não têm nenhum amigo de verdade;

• 38% não têm desenvolvido uma perspectiva de vida para daqui a cinco anos;

• 30% se sentem mais inferiorizados hoje do que no passado. Se pudessem voltar atrás mudariam muita coisa na vida e ministério;

• 10% afirmam que a Igreja já foi responsável por desastres na família do pastor;

• 88% têm facilidade em perdoar os que ofendem. Esses dados revelam que pastores não são feitos de ferro ou de aço, mas de barro. O vaso de barro quebra, racha, mas se reconstrói, se refaz nas mãos de Deus (à exemplo do profeta Jeremias). O barro demonstra a fragilidade do pastor e evoca compreensão das ovelhas para com o seu pastor.

Fonte: http://www.batistas.com/OJB_PDF/2016/OJB_24.pdf

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